Nós somos a visita que não veio”. O lema dos voluntários da Associação Paulista Feminina de Combate ao Câncer no Hospital São Paulo define bem a missão que assumiram. Ao contrário dos outros núcleos, lá a APFCC atua em todas as áreas, independentemente da patologia do paciente. São seis locais de atendimento – Enfermaria, Grupo Multidiciplinar de Oncologia – Quimioterapia, Pronto Atendimento, Hemocentro, Casa do Cardiopata e Departamento de Cirurgia Plástica, com voluntários atuando em cada um deles de segunda a sexta-feira, em turnos de quatro horas.

O trabalho voluntário envolve a preparação e distribuição de lanche, que inclui dieta diferenciada para diabéticos e outros pacientes com restrições alimentares, além de carinho e atenção que envolve também os acompanhantes e familiares dos doentes em tratamento ambulatorial ou internados. Os voluntários colaboram, inclusive, no setor de triagem do hospital, orientando quem chega e ajudando no cadastramento e preenchimento de fichas, apoiando o serviço dos funcionários e enfermeiras para que tudo corra da melhor maneira possível. Para manter o trabalho bem organizado, os voluntários estabeleceram uma rotina de visita aos andares ímpares pela manhã e os andares pares à tarde. Dessa forma, verificam se os pacientes ou acompanhantes precisam de roupas ou produtos de higiene pessoal e providenciam o que for necessário.

Os voluntários também organizam os bens doados, que são vendidos nos bazares realizados de dois em dois meses para arrecadar o dinheiro utilizado na compra de produtos distribuídos para os pacientes carentes. Isso inclui roupas para adultos e crianças, produtos de higiene pessoal, fraldas e enxovais para bebês. Muitas vezes é comprado também algum medicamento mais caro e urgente ou que não é distribuído gratuitamente, atendendo pedido dos próprios médicos. Além disso, existem solicitações de muletas, cadeiras de rodas ou aparelhos respiratórios, que a APFCC se empenha em conseguir.

A atuação dos voluntários na Quimioterapia acontece em três turnos. O primeiro deles é as 8h30, com a circulação do carrinho do lanche. Às 10 horas o carrinho passa pela segunda vez, pois muitas vezes os pacientes estão enjoados e não conseguem comer direito, embora a alimentação seja fundamental para ajudar na recuperação. Por isso mesmo, às 11 horas é servida uma sopa e à tarde tem mais um lanche.

Algumas áreas de atuação estão instaladas fora do prédio central do Hospital e em todas elas há uma equipe de voluntários se revezando, como é o caso do Hemocentro, da Casa da Cardiopatia e da Cirurgia Plástica, onde começou o trabalho da APFCC no Hospital São Paulo. O médico que abriu as portas para o trabalho do voluntariado no hospital foi o professor Ivan Dunsheee de Abranches Oliveira Santos, chefe da Disciplina de Cirurgia Plástica e Coordenador do Setor de Tumores do Departamento de Cirurgia do HSP. Em sua opinião, a presença dos voluntários é muito importante porque facilita a relação entre pacientes e médicos, contribuindo, e muito, para melhorar a qualidade do atendimento.

O Hemocentro é um caso à parte no ambiente hospitalar, pois ali os freqüentadores não são pacientes, mas pessoas saudáveis dispostas a colaborar com o Banco de Sangue. Nesse caso, a atuação dos voluntários é concentrada na recepção e triagem dos doadores em potencial, para que seram realizados todos os procedimentos necessários para a coleta de sangue e manutenção dos estoques indispensáveis para transfusões em cirurgias e emergências.

Em outra área, os voluntários têm também a função de acalmar e buscar a humanização do ambiente. Trata-se do Pronto Socorro, ou Pronto Atendimento, onde geralmente a espera é maior – o que gera tensão e estresse entre os que chegam buscando ajuda e quem trabalha para atender a todos. Para amenizar a ansiedade gerada pela espera, os voluntários da Associação Paulista Feminina de Combate ao Câncer se colocam à disposição dos usuários, mesmo que isso signifique apenas a disposição para ouvir e se solidarizar.